* Chico Leite, Procurador de Justiça do MPDFT, licenciado, Professor e deputado distrital
Nossa cidade dispõe de uma frota crescente de aproximadamente 1,2 milhão de veículos, concentração de quase 70% dos empregos formais no Plano Piloto e enormes distâncias a serem percorridas entre locais de moradia e trabalho. Engarrafamentos, acidentes, estresse e poluição fazem, cada vez mais, parte do nosso quotidiano. Não foi essa a Brasília sonhada por seus idealizadores. Por outro lado, é essa a realidade que devemos enfrentar nos próximos anos e é por essa razão que carecemos de gestores modernos e dinâmicos, capazes de corrigir as distorções do passado e projetar a capital do País para as próximas décadas.
Além de medidas que visem à criação de oportunidades nas demais regiões do DF, que melhorem as condições de vida da população e diminuam a dependência com o Plano Piloto, precisamos repensar nossos pressupostos de mobilidade urbana. É chegado o momento de investirmos pesado em transportes de massa limpos, rápidos e acessíveis, que integrem a cidade e diminuam a dependência do uso de veículos de passeio para atividades cotidianas, como trabalho e escola.
Licitações para a frota de transportes público, incentivos ao uso do transporte institucional por empresas e órgãos públicos, como ocorria no passado; integração intermodal (ônibus/micro-ônibus/metrô/VLP/VLT); construção de terminais de integração e a definição de vias exclusivas para o transporte coletivo são medidas apontadas pelos especialistas como essenciais para oxigenar o sistema e assegurar o direito coletivo à circulação e locomoção. Em cidades como Nova York temos visto que vias de circulação têm dado lugar a bulevares, praças e ambientes de convivência, iniciativa importante para reduzir a poluição, diminuir o tráfego, o estresse e humanizar a cidade.
Devemos implantar e viabilizar a bicicleta como instrumento efetivo de mobilidade intraurbana. Construção de ciclovias seguras, idealizadas e implantadas para que as pessoas possam circular internamente e de uma região administrativa a outra, estacionamentos e centrais de locação de bicicletas integradas ao metrô, além de incentivos para a definição de vestiários e demais estruturas de apoio para funcionários de empresas privadas e órgãos públicos, enfim, toda a estrutura que viabilize o uso das "magrelas".
Imagine a integração dos pontos turísticos do Plano Piloto por uma ciclovia ou a utilização segura dos acostamentos como vias cicloviárias. Imagine deixar o carro na garagem para circular de bicicleta dentro de Águas Claras com total segurança. Pense se é possível preservar os gramados e calçadas em todo o DF, protegê-los da destruição provocada pela ampliação de pistas e estacionamentos públicos, e se é possível plantar ampliação das linhas do metrô, do número de empresas de transporte coletivo, a utilização de pistas exclusivas para ônibus novos e limpos e, até, a utilização da linha férrea para o transporte de passageiros. Paremos de pensar, pois a cidade que queremos e merecemos precisa ser construída agora.
Fonte: JORNAL DE BRASILIA - DF | OPINIÃO