O fenômeno das mudanças climáticas, que tem entre suas causas o aumento das emissões e da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, impõe um enorme desafio a toda a sociedade nesta década.
A viabilização em Cancún, México, durante a 16ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP-16, de um fundo para apoiar as atividades de mitigação e adaptação climática nos países em desenvolvimento, abre uma excelente oportunidade para a discussão e priorização de ações voltadas para a proteção ao meio ambiente.
De acordo com o estudo COP 16: As Contribuições da Indústria Brasileira, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria, a participação dos processos industriais nas emissões de gases de efeito estufa no Brasil limita-se a 4%.
Por outro lado, conforme dados divulgados durante a COP 16 em Cancún, a maior participação nas emissões de CO2 no mundo está relacionada aos setores de geração de energia e transportes, sendo que o maior crescimento ocorre no setor de transportes, que já responde por 23% das emissões no planeta.
No Brasil, uma das principais fontes de emissão de gases de efeito estufa está relacionada à energia fóssil, consumida no transporte de carga e no transporte urbano. Se considerarmos que, na Bahia, cerca de 90% deste transporte é efetuado pelo modal rodoviário e que cerca de 40% dos caminhões realizam viagens de retorno sem cargas, constatamos que existe uma grande oportunidade para o aumento da eficiência no setor de transportes e a redução das emissões de carbono na atmosfera.
Neste contexto, o incentivo ao transporte de cargas através das ferrovias e hidrovias assume importante papel na busca pela sustentabilidade ambiental. Lembremos que o Programa Estadual de Logística de Transportes - PeltBahia, elaborado pelo governo do Estado em 2002, projetava uma mudança na matriz de transportes para 2022, prevendo a implantação da Ferrovia Oeste-Leste e a operacionalização da hidrovia do São Francisco, ligando Pirapora (MG) a Juazeiro (BA).
O início em janeiro próximo (conforme anunciado pela Valec) das obras da ferrovia, que teve seu projeto ampliado, e ligará Tocantins a Ilhéus, constitui-se desta forma numa excelente ação visando à redução futura das emissões de CO2 no setor de transportes na Bahia.
Além do incentivo à utilização das hidrovias e ferrovias, uma política de sustentabilidade nos transportes deve priorizar a migração para combustíveis não-fósseis, como etanol e biocombustíveis, pesquisa e introdução de novos padrões tecnológicos, que busquem economia nos motores a combustão e maior planejamento e racionalização, reduzindo as ociosidades e ineficiências do setor.
A implantação de Plataformas Logísticas Multimodais, também previstas no PeltBahia, deve ser priorizada, contribuindo para a redução do trânsito de caminhões nos centros urbanos. No transporte de passageiros, deve-se priorizar o transporte público, construção de ciclovias e a ampliação do sistema de metrô, com sua integração com o sistema ferroviário metropolitano.
Mesmo que o Brasil não venha a ser beneficiado pelos recursos do fundo, o momento é bastante oportuno para as discussões sobre as medidas a serem implementadas visando à redução das emissões de gases de efeito estufa, que contribuem para o agravamento do processo de aquecimento global. Ações como a construção da Ferrovia Oeste-Leste e a reativação da hidrovia do São Francisco, que contribuirão para o balanceamento da matriz de transportes no Estado da Bahia, estão em sintonia com a questão da sustentabilidade nos transportes.
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